Caderno II — Três folhas de prática

A vigília do caminho escolhido
Recolhe-te onde a luta não te alcance. Dispõe diante de ti o traçado do Círculo Alquímico e reconhece a passagem pela qual chegaste ao conhecimento que desejas firmar. Um ramo sem alimento anterior não se sustenta pela beleza de sua extremidade.
Os pergaminhos que ampliam a compreensão devem ser decifrados e integrados. Repetir a mesma revelação como se nunca a tivesses recebido não te concede uma vida nova de aprendizagem. As gemas próprias de cada disciplina pedem reconhecimento e preparo; sua revelação consome a matéria correspondente e o ouro devido ao trabalho. Os fragmentos pertencem a um ofício de reunião e lapidação, e não a um atalho que dispense as ligações.
Nesta casa, o discípulo recorda um objeto de sua jornada antes de percorrer as marcas. Outras casas guardam costumes diferentes. Nenhum desses testemunhos autoriza oferecer uma pessoa em sacrifício para comprar entendimento.
Quando a disposição anterior já não servir ao caminho que escolheste, regressa ao abrigo e refaze-a com discernimento. A quietude permite reconhecer o que será deixado e o que poderá nascer. Não prometas a ti mesmo todos os ramos de uma só vez.
A inscrição da matéria
O oficiante recebe o objeto e examina os lugares em que a matéria pode acolher uma lembrança. Declara a categoria do encanto e recusa repeti-la na mesma peça como se a insistência abrisse um lugar novo. Confere os ingredientes e separa o que será consumido.
Entre os preparos de chama, os artífices registram o coração ígneo; trabalhos mais elaborados recorrem também à escama de dragão verde e ao chifre de demônio. Tais matérias pertencem aos seres e às artes deste mundo. A gravura de um vaso não basta para instruir o trabalho de quem desconhece seu conteúdo.
As oficinas preservam nomes como Abrasamento, Veneno, Geada, Eletrificação e Ceifa. Outras inscrições auxiliam o retorno de vida ou mana, ou oferecem resguardo contra forças particulares. O nome deve acompanhar a função para que a aparência de um selo não engane seu portador.
Cumpridas as condições do ofício, a inscrição é aplicada. Seu vigor encontra limite e se consome conforme o uso que o desperta. Guardar uma lâmina não equivale a brandi-la em combate. Quando a lembrança se gastar, examina outra vez a peça antes de renová-la.
A chamada e a despedida
Reserva espaço para aquele que responderá. Confere o selo vigente de tua arte e reconhece a maturidade do vínculo que pretendes sustentar. Não convoques um segundo companheiro sobre a presença do primeiro.
Vivendum Animalia abre a chamada. O ser que responde pertence ao caminho preparado, não a qualquer imagem que por acaso desejes imitar. Sua duração é finita; ele pode ser ferido e perdido. A atenção que lhe deves começa antes da manifestação e continua enquanto estiver ao teu lado.
A forma maior chamada por Animagis requer seu próprio ato. Não nasce da simples escolha do vínculo. Entre os Metamorfos, Fusio Bestialis pertence a uma prática própria, que não se confunde com as três posturas do corpo. Os rastros dessas manifestações cedem com o tempo; não refazem para sempre as terras por onde passaste.
Para escolher outro vínculo, procura proteção, deixa cessar a companhia e qualquer Avatar em atividade. Há escolhas que só se fazem quando se aceita terminar a anterior.